Milton Mariotti, de Votuporanga-SP, cuida muito bem do alheio.

Tudo começou tem 34 anos. Seu irmão Waldemar, barbeiro de profissão, estava de há muito com terrível mal cervical. Impossibilitado de trabalhar, já que jamais poderia ficar de pé por um só instante, que dirá o dia inteiro à volta da cadeira, recebeu proposta estranha. Milton queria realizar uma ‘cirurgia’ em sua orelha! Claro, o barbeiro recusou, assombrado com o fato de, ele, o irmão, ser um simples amolador de lâminas (alicates, canivetes, tesouras etc.) e não, médico ou enfermeiro, ao menos.

Porém, com as terríveis dores o acometendo cada vez mais, o barbeiro capitulou “pode fazer o que quiser. Corte meu pescoço, se isso parar com a dor!”, proferiu, entre gemidos. A medicina convencional, essa que conhecemos do dia a dia, nada podia fazer e já havia esgotado seus recursos, buscando solução para sua dor.

De posse de um bisturi, previamente passado em fogo purificador, mãos devidamente desinfetadas, algodão e fita adesiva própria, além de uma pomada cicatrizante, Milton Mariotti realizou a intervenção: pequeno corte em parte do pavilhão auditivo esquerdo. Naquele instante, solicitou ao irmão que orasse, elevando sua mente ao Altíssimo. Pronto! E de fato. Fazem mais de 34 anos que o barbeiro de Votuporanga trabalha entorno de sua cadeira, cortando cabelos, aparando barbas ou escanhoando-as. Nunca mais queixou-se de dor alguma, nas costas ou braços e pernas “Foi uma bênção!” atestou.

Milton contabiliza mais de cem mil intervenções até aqui. “Creio que temos auxiliado algumas famílias” comenta.